Pôster do filme “Criação” (Creation) - baseado no livro “Annie’s Box”, escrito por Randal Reynes, tataraneto de Charles Darwin, o criador da teoria da evolução.

sábado, 31 de julho de 2010

Fiéis protestam contra fim de capela

Para evitar privilégios aos católicos, hospital de Porto Alegre trocará símbolos sacros por imagens que lembrem a natureza
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A capela do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) vai deixar de ser um espaço católico para dar lugar a um ambiente laico, com a ausência de símbolos e imagens. Com base na Constituição, a instituição tomou a decisão para contemplar todas as crenças, mas criou controvérsia. Uma manifestação de fiéis contra a medida está marcada para hoje.

Segundo a assessora de comunicação do HCPA, Elisa Ferraretto, o convênio com a Associação Literária Boaventura, de Caxias do Sul – que administrava as cerimônias da capela –, foi rompido, e o local deve ser liberado até 30 de junho. A capela dará lugar ao Espaço de Espiritualidade, com imagens reverenciando a natureza.

– Sabemos que hoje existe uma tendência mundial em privilegiar a diversidade. Temos cerca de 5 mil funcionários de diferentes credos, era natural que isso acontecesse – explica Elisa, dando como exemplo os índios que frequentam o HCPA e o grupo de estudos afro-brasileiro ali sediado.

A notícia da mudança deixou desolado um grupo de frequentadores da capela. Formado na maioria por funcionários do hospital, eles devem se manifestar contra a decisão hoje, em frente ao local. O ato – que reivindicará outro espaço para os católicos – ocorrerá após reunião na Cúria Metropolitana.

O capelão Frei Marion Kirschner evitou dar entrevista, mas não conseguia esconder sua tristeza. Ele se emocionou ontem à tarde ao doar uma imagem de Nossa Senhora que estava no local. Frequentadora da capela há décadas, Edith Guedes Fortes, 81 anos, também ficou desolada.

– Acredito que o local deveria ser ecumênico, com a união das religiões e não com a retirada delas. O espaço para católicos deve ser mantido, porque é uma tradição no país ter representação católica nos hospitais. O povo já está acostumado com isso. Não queremos que isso se perca.

A decisão foi tomada depois de 7 de abril, quando a diversidade de crenças foi discutida em uma palestra. Segundo Elisa, a administração do Clínicas se baseou no artigo 19 da Constituição, que estabelece que órgãos públicos não podem incentivar uma única religião em detrimento de outras.

– Começamos a estimular o debate, pedindo que as pessoas mandassem sugestões e decidimos ir além de um espaço ecumênico. Para não deixar ninguém de fora, optamos por um local neutro – afirma.

Elisa explica que a mudança não alterará a assistência religiosa, como a extrema-unção. A diferença é que ela deverá ser feita por religioso que venha especialmente para o sacramento.
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1 comentários:

Wolf Edler disse...

Decisão acertada do Hospital. O espaço pode ser utilizado por crentes de qualquer religião para orar, já que isto não requer a presença de imagens ou símbolos de nenhuma religião. Se alguém crê que há um Deus que atenda suas preces, ele o fará em qualquer circunstância ou local, independentemente da existência de símbolos religiosos.

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