Pôster do filme “Criação” (Creation) - baseado no livro “Annie’s Box”, escrito por Randal Reynes, tataraneto de Charles Darwin, o criador da teoria da evolução.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Incoerência da Redenção - Ernesto von Rückert

Nesta semana a cristandade reverencia a morte daquele que consideram o redentor da humanidade, Jesus. É a morte, e não o nascimento ou a ressureição, o fulcro da doutrina cristã. Seu significado reside em que, por ela, Deus pai sentiu-se aplacado de sua ira pelo pecado original e permitiu aos homens ascenderem ao céu após sua morte, caso ela os tenha encontrado em estado de graça. Nisto consiste a chamada “redenção”. Tendo criado o homem à sua imagem e semelhança, no paraíso, em que não teriam sofrimentos nem encargos e ascenderiam de corpo e alma ao céu, após algum tempo de estadia terrestre, Deus proibiu-os de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Mas, tentados pela encarnação de satanás em uma serpente, eles comeram desse fruto e, com esta desobediência, foram expulsos por Deus do paraíso e condenados a ganhar o pão com o suor do rosto e a parir os filhos com dores, além de ficarem impedidos de subir aos céus e que seu corpo morresse. Em vão imolaram os homens cordeiros e outros animais para aplacar a ira de Deus. Todavia, sendo misericordioso, Deus abriu uma possibilidade para o homem poder ir para o céu. Esta seria uma oferta de um sacrifício infinito. Nada menos do que a imolação de si a si mesmo, encarnado em um ser humano, que seria Jesus. A condição exigida para usufruir da redenção seria aceitar que Jesus tenha sido o redentor e levar a vida de forma a que a morte encontre a pessoa em estado de graça, isto é, sem pecados. Caso contrário a pessoa estaria condenada à danação eterna no inferno ou a um período de purificação no purgatório, após o que poderia ir para o céu. Por enquanto apenas a alma, mas, depois do Juízo Final, que se daria no fim do mundo, com o corpo também.
Uma análise cuidadosa de tudo isso mostra o quanto esta história é implausível e o quanto de crueldade está contido nela. Para começar, supondo que, de fato, Deus tenha criado a humanidade na figura do casal Adão e Eva e que eles tenham cometido o pecado original, sendo Deus a fonte da própria bondade, do amor e do perdão, porque não os perdoou simplesmente, sem exigir sacrifício expiatório nenhum? Os cristãos consideram até blasfêmia discutir os desígnios de Deus, mas esta atitude divina é incoerente com a concepção de Deus como santíssimo. Além disso, promover a encarnação de si, em sua segunda pessoa, no homem Jesus, para que este sofresse toda a paixão como é relatada nos evangelhos revela uma mente divina requintadamente cruel e sádica. O islamismo, que coloca a salvação do homem em suas obras, orações e piedade, sem considerar nenhum pecado original e nenhuma redenção, é uma religião muito mais coerente do que o cristianismo.
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http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=4257

2 comentários:

Sergio Viula disse...

Muito interessante... Quisera "zeus" que os cristãos o lessem e compreendessem (o que pode ser pedir demais até mesmo para o deus dos deuses...kkk).

Abraço grande, Breno.
Sergio Viula

Ateuligente disse...

Abração meu amigo ateuligente

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